terça-feira, 24 de março de 2009

'Zelador livreiro' tem biblioteca despejada no interior de São Paulo

http://oglobo.globo.com/sp/mat/2009/03/23/zelador-livreiro-tem-biblioteca-despejada-no-interior-de-sao-paulo-754957644.asp
Plantão Publicada em 23/03/2009 às 18h28m

EPTV.com SÃO PAULO - Os primeiros livros e revistas foram recolhidos das lixeiras dos grandes edifícios. Acumulados ao longo de cinco anos pelo zelador Sebastião Silvestre Morais Filho, somaram cerca de seis mil unidades - 4.200 livros e quase duas mil revistas. Nos últimos dois anos, as crianças e estudantes da periferia de Cravinhos, a 294 quilômetros da capital paulista, se divertiram com o variado acervo. Entre os infantis, o campeão de procura era "O Ratinho Comilão". As histórias do "Menino Maluquinho" e os "Caça-palavras" também estavam entre os mais pedidos. Adolescentes liam Agatha Cristhie e os estudantes preferiam livros didáticos. Havia títulos até para universitários. Mas agora, não se sabe o motivo, o acervo está sendo despejado pela prefeitura. Amontados numa sala do Fundo de Solidariedade, os exemplares são considerados estorvos. Por isso, Morais, que mora em Cravinhos e trabalha como zelador em Ribeirão Preto, está sendo pressionado para levar seus "cacarecos" para outro local. O acervo dele foi útil à prefeitura até o fim do ano passado. De 2007 a 2009, com a criação de um projeto desenvolvido por ele mesmo - Projeto Crê-Ser -, os livros e revistas foram expostos, nos finais de semanas e feriados, em várias praças da periferia da cidade. O sucesso foi tão grande que Morais Filho cadastrou mais de 300 famílias. Os livros eram levados ao local de exposição e recolhidos por uma perua da prefeitura. Sem remuneração, o zelador tinha orgulho de supervisionar o projeto. O Crê-Ser tinha um funcionamento simples. Adolescentes, estudantes ou crianças acompanhadas dos pais poderiam levar livros ou revistas para casa. Na semana seguinte, se quisessem outros exemplares, teriam que trazer os que haviam retirados. Tudo muito bem, até que a prefeitura decidiu suspender o projeto e despejar o acervo. Pressionado para recolher o acervo e sem ter onde colocá-lo, Morais Filho entrou em pânico e contou seu drama para alguns moradores do edifício Plaza Tower, onde trabalha. Vários aderiram ao pedido de socorro, entre os quais os juízes do Trabalho Paulo Henrique Caiado Martins, Amauri Barbosa e o advogado Marcos de Lima. Eles decidiram criar o Projeto Biblioteca na Calçada. Vão financiar, a partir de segunda-feira, a construção de um cômodo na casa do zelador, na rua Domingo Carloni, 159, onde serão acomodados os títulos. Assim, nos finais de semana e feriados, em frente à casa, sob toldos azuis, as crianças, adolescentes e estudantes de Cravinhos poderão, novamente, ter contato com os livros. O secretário da Cultura de Cravinhos, Marco Antônio Capecci, confirmou que o projeto Crê-Ser não interessa mesmo à atual administração. Mas negou que tenha pressionado o zelador a retirar o acervo de 4.200 livros e duas mil revistas de uma das salas do Fundo de Solidariedade. - Os livros estão guardados lá, quem manda sou eu - disse. Mas, na manhã de domingo, uma funcionária da secretaria da Educação perguntou ao zelador quando ele retiraria os livros da sala, que será usada para reuniões. O juiz do Trabalho Paulo Henrique Caiado Martins disse que ficou comovido com o drama de Morais Filho, ameaçado de ter seu acervo despejado pela prefeitura de Cravinhos. - Um homem simples, sem perspectivas de grandes salários, de formação simples e preocupado em oferecer lazer e cultura às pessoas. Isso é raro e maravilhoso. Aceitamos desenvolver o projeto "Biblioteca na Calçada" por motivo de cidadania, apenas isso - afirmou. Quanto a decisão da prefeitura de Cravinhos, o juiz disse "ter sido uma visão tosca, sem compromisso com a cultura".

sábado, 7 de março de 2009

CENTENÁRIO PATATIVA DO ASSARÉ

Veja a bela programação completa em homenagem ao centenário de nascimento do poeta Patativa do Assaré divulgada pela Casa das Rosas:

CENTENÁRIO PATATIVA DO ASSARÉ
Apresentar a vida e obra de Patativa ao mundo de hoje é fazer uma grande viagem pelos rincões do Brasil de todos os tempos, com suas contradições e contrastes seculares

Exposição temática sobre Patativa do Assaré De 07 de março a 05 de abril
Curadoria e acervo de Assis Ângelo Exposição em homenagem ao poeta, com exemplares originais de seus livros e folhetos de cordel de Patativa do Assaré; publicações em jornais e revistas sobre o poeta, além de acervo fonográfico e fotográfico.

Palestras
Patativa do Assaré - vida e obra
Com Assis Ângelo Sábado, dia 07 de março, às 20 horas
Antônio Gonçalves da Silva, nacional e internacionalmente conhecido por Patativa do Assaré (1909-2002), um orgulho do Brasil.

A xilogravura nos cordéis
Com Valdeck de Garanhuns Sábado, dia 14 de março, às 20 horas
O poeta de literatura de cordel, xilogravador e mestre de teatro de mamulengos, Valdeck de Garanhuns, falará sobre a presença da xilogravura nos cordéis, como ela se desenvolveu no Nordeste e se espalhou por todo o país.

Patativa do Assaré e o reino da cantoria
Com Assis Ângelo Participação especial de Sebastião Marinho e Luzivan Mathias
Sábado, dia 21 de março, às 20 horas
Será abordado o universo da cantoria, a partir de suas origens na Idade Média; suas características e principais representantes, lembrando da origem do poeta Patativa do Assaré como cantador repentista. Assis Ângelo será acompanhado pela dupla de cantadores repentistas Sebastião Marinho e Luzivan Matias, que apresentará algumas das inúmeras modalidades do repentismo, como Sextilha, Gemedeira, Gabinete, Martelo Malcriado, Galope Beira-Mar e Treze por Doze, sendo que muitas dessas modalidades estão praticamente extintas.

Literatura de cordel para jovens e crianças e lançamento do livro: 'O Valente Domador' Com César Obeid
Sábado, dia 28 de março, às17 horas O escritor e educador, por meio de contação de histórias, improvisos e dinâmicas com rimas, abordará a literatura de cordel destinada ao público infanto-juvenil. Haverá também o lançamento do livro 'O Valente Domador' da Editora Scipione que trata do uso dos animais pelos circos.

Ideias para a discussão de uma poética popular
Com Ricardo Azevedo Sábado, dia 28 de março, às 20 horas
Pretende-se apontar algumas características do contexto sócio-cultural brasileiro, profundamente marcado pela cultura popular; discutir a hipótese da existência de diferentes padrões culturais, éticos e estéticos; lançar ideias a respeito do que poderia ser considerada uma visão de mundo popular para, finalmente, mostrar comparativamente certos temas e procedimentos com a palavra recorrente no discurso popular.

Oficinas de xilogravura Com Nireuda Longobardi
Quintas-feiras, dias 05, 12, 19 e 26 de março, das 16 às 18 horas Oficina de xilogravura com o tema 'Patativa do Assaré', com técnicas mistas. Os participantes produzirão gravuras relacionadas à literatura de cordel.

Repentistas na hora do almoço
Com Sebastião Marinho e Luzivan Mathias Sextas-feiras, dias 06, 13, 20 e 27 de março, das 12h30 às 13h10
Os cantadores farão versos improvisados ao som da viola, interagindo com a plateia. O improviso poético nordestino é uma rara demonstração de habilidade mental e riqueza de conteúdo e rimas.

Cursos 30 vagas
As inscrições podem ser feitas na recepção da Casa das Rosas, de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Documentação necessária: 1 foto 3X4; xerox do RG; xerox do comprovante de residência. Taxa: R$ 10

Encantando Palavras
Com Tatiana Fraga Terças-feiras, dias 17, 24 e 31 de março e 07 e 14 de abril. Das 16 às 17 horas
Oficinas de poesia para crianças, trabalhando desde cantigas de roda, parlendas e trava-línguas, até poetas que se dedicaram à literatura infantil. As aulas acontecem com jogos, brincadeiras e a construção e desconstrução das palavras.

Contação e construção de histórias em cordel Com César Obeid
Quartas-feiras, dias 11, 18 e 25 de março e 01, 08 e15 de abril. Das 19h00 às 21 horas Como escrever e contar as diversas modalidades da literatura de cordel. Sextilha, setilha, oitavas, décimas etc. Dinâmicas de teatro de cordel trabalham a expressão corporal para o universo da poesia popular rimada e metrificada ser vivenciado plenamente.

O poder mágico do imaginário em J.R.R. Tolkien
Com Rosa Sílvia López Quintas-feiras, dias 12, 19 e 26 de março e 02, 09 e16 de abril. Das 19h30 às 21h30
Literatura de fantasia; A palavra em Tolkien: descoberta e subcriação; Magia na obra e no cotidiano; Transformações e conexões.

Poesia visual Com Daniele Gomes de Oliveira
Quintas-feiras, dias 12, 19 e 26 de março e 02, 09 e16 de abril. Das 19h30 às 21h30 O curso tratará das relações entre poesia e visualidade partindo da poesia concreta até a poesia intersemiótica.

Projeto Escrevivendo com interface para blogagem Seres imaginários
Coordenação: Karen Kipnis Com Gabriela Fonseca e Livia Barros (às terças-feiras), e Sandra Schamas com a participação de Mafuane Oliveira (aos sábados)
Terças-feiras, dias 10, 17, 24 e 31 de março e 07, 14, 21 e 28 de abril. Das 19h30 às 22 horas
Sábados, dias 07, 14, 21 e 28 de março e 04, 11 e 18 de abril. Das 10h30 às 13h30
Com a proposta de incentivar jovens e adultos a produzirem textos e a refletirem sobre sua maneira de escrever, a oficina pretende desmistificar o ato da escrita, transformando-o num processo centrado na reflexão sobre o assunto, a forma textual adotada, o papel do leitor e o encadeamento das ideias. Assim, o objetivo do Projeto Escrevivendo é, também, tornar os autores leitores críticos de seus próprios textos.

Dança e poesia: Manoel de Barros
Com Cia. Micrantos Sábados, dias 07, 14, 21 e 28 de março e 04, 11, 18 e 25 de abril. Das 11 às 13 horas
Encontros com o objetivo de realizar pequenas criações inspiradas em poesias de Manoel de Barros, especialmente aquelas que compõe a trilogia Memórias Inventadas.

Covers delirantes
Oficina de reescrituras e criações Com Allan Mills
Sábados, dias 21 e 28 de março e 04, 11, 18 e 25 de abril, das 14 às 16 horas
As reescrituras é uma forma de escrita que, posterior à leitura de um livro, gera - por simulação, paródia ou homenagem - um novo poema ou uma série de poemas que transversalizam essa arquitetura, sua paisagem lírica ou algum espaço do dito devir textual. Uma reescritura não é, segundo HH Montecinos, "nem cópia, nem citação, nem colagem, e sim a criação de um texto absolutamente distinto ao que se reescreve".

Programação Biblioteca circulante
Exposição bimestral de livros do acervo de Haroldo de Campos
Poesia Visual Curadoria de Cid Campos
Poesia e Música - uma palestra show de Cid Campos
Quarta-feira, dia 25 de março, às 19 horas Será apresentado o percurso de alguns dos trabalhos elaborados e desenvolvidos em seu estúdio desde 1992. Também estarão expostos livros da Biblioteca de Haroldo de Campos voltados ao tema, selecionados pelo palestrante.

Contações de história Com Mafuane Oliveira e Marília Maia
Histórias de cordel - sábados, dias 07 e 21 de março, das 14h30 às 15h30
Histórias Monteiro Lobato - sábados, dias 04 e 18 de abril, das 14h30 às 15h30 Uma viagem através da narrativa de quatro belas histórias da cultura popular brasileira. Com delicadeza e imaginação, a narração será um momento mágico que vai encantar crianças e adultos.

Poesia aperitivo
Com Frederico Barbosa Quartas-feiras, dias 04, 11, 18 e 25 de março e dias 01, 08, 15 e 22 de abril, das 12h30 às 13h
Em meia hora de aula durante o almoço, momentos decisivos da história da literatura brasileira serão abordados em oito encontros vibrantes capazes de despertar o interesse do leitor pelas obras.
Gregório de Matos - dia 04/03 Alvares de Azevedo - dia 11/03
Castro Alves - dia 18/03 Augusto dos Anjos - dia 25/03
Manuel Bandeira - dia 01/04 Carlos Drummond de Andrade - dia 08/04
João Cabral de Melo Neto - 15/04 Augusto de Campos - 22/04

Meio-dia moviola Quintas-feiras, dias 05, 12, 19 e 26 de março e 02, 09, 16 e 23 de abril, das 12h30 às 13 horas

Uma cena diferente na hora do almoço. Exibição de curtas-metragens contemplados pelo Prêmio Estímulo de Curta-Metragem, promovido pela Secretaria do Estado da Cultura, nos anos de 2006 e 2007.

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Ação educativa
Visitas monitoradas para terceira idade Quintas-feiras, dias 12 de março e 16 de abril, das 16 às 17h30

Durante o primeiro semestre de 2009, uma vez ao mês, Neuza Guerreiro de Carvalho realizará visitas monitoras na Casa das Rosas para grupos de terceira idade. Temas como a arquitetura e a história da Casa das Rosas serão abordados durante um bate- papo acompanhado de um delicioso chá.
Visitas educativas na Casa das Rosas
Visitas agendadas (mínimo 10 pessoas) De terça a sexta-feira, das 10 às 12 horas e das 14 às 16 horas
Visitas espontâneas

De terça a sexta-feira: horários diversos Aos sábados às 12 horas e às 16 horas
Mais informações na recepção da Casa das Rosas
Serviço Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Avenida Paulista, 37 Tel.: (11) 3285.6986
http://www.poiesis.org.br/casadasrosasdasrosas
Horário de funcionamento De terça-feira a sexta-feira, das 10 às 22 horas
Sábados e domingos, das 10 às 18 horas (com possibilidade de alteração de acordo com a programação). Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74
Dúvidas, críticas e sugestões: contato@poiesis.org.br

Feira de Troca de Livros e Gibis


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cultura lúdica na biblioteca_por Flávio Paiva

Em um texto que escreveu sobre a obra do escritor uruguaio Horácio Quiroga (1878 - 1937), Monteiro Lobato (1882 - 1978) argumenta que a infância precisa de uma ´literatura ao ar livre´ e para isso necessita que essa literatura seja produzida por quem ´viveu a vida´, como Quiroga. Encontrei essa chave de abertura para o respeito à cultura lúdica, no livro ´Semear Horizontes´ (Ed. UFMG, 2007) da educadora Gabriela Pellegrino Soares, professora de História da América Independente, da Universidade de São Paulo, que comprei na VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, realizada em Fortaleza de 12 a 21 de novembro de 2008.

A observação de Lobato me chama a atenção para o quanto temos criado de recursos de aproximação da criança com o livro, mas também para o quanto temos sido negligentes com relação ao significado de escrever para crianças. Existem livrinhos de pelúcia, de borracha para morder e de plástico para a hora do banho. Tem livro-brinquedo, em forma de carro, de animal e de figuras geométricas. Com relevo nas páginas e papelão articulado, as lojas estão cheias de publicações. Livros com ilustrações atraentes, mas nem sempre com conteúdo honesto, é o que não falta. E as calçadas das escolas, os espaços das bibliotecas e os stands das feiras são invadidos por livros sem autores, sem alma, livros pardais, a furar os ovos da imaginação com seus bicos disfarçados de nota de um real.

Tive a oportunidade de melhorar a minha percepção com relação à situação do livro e da leitura, ao discutir o tema com uma platéia formada por atentos cuidadores de bibliotecas, em palestra que fiz dia 19/11/2008, no auditório da biblioteca da Universidade de Fortaleza, por ocasião do IV Encontro do Sistema Estadual de Bibliotecas, SEBP, que integrou a programação da VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará. Na agradável companhia das educadoras Fátima Portela, professora do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará, e Ruth Pontes, coordenadora estadual do Programa Nacional de Incentivo à Leitura, Proler, conversamos sobre a ´dinamização de acervos com a literatura infantil´.

Tanto quanto de bons livros, a biblioteca precisa significar espaço de tempo livre onde a criança possa exercitar a imaginação em diálogos literários que respeitem à sua individualidade, estimulem a sociabilidade e autonomia criativa. Cecília Meireles (1901 - 1964), escritora que abraçou a causa do livro e da leitura, dizia com muita lucidez que as crianças gostam de histórias ricas em conteúdo humano. Maria Amélia Pereira, fundadora e orientadora do centro de estudos Casa Redonda, de Carapicuíba, reforça a atualidade desse conceito ao assegurar que o melhor livro infantil é aquele que expressa a relação do ser humano com o mundo na sua forma mais verdadeira.

A promoção da leitura e a democratização do livro, como política de Estado, decorrente dos ideais republicanos de universalização da educação, é uma bandeira empunhada pelo governo do Ceará, terra que em apenas dois séculos de emancipação política, tem uma biblioteca inaugurada em 1867. Lourenço Filho (1897 -1970), que em 1922 mudou-se para Fortaleza com a missão de fazer uma reforma na educação pública cearense, comparava a literatura ao jogo e à brincadeira, por entender sua força de atuação preponderante no campo da imaginação e colocava a literatura infantil como complemento à educação escolar na formação plena das pessoas.

O espaço da literatura na educação vem contando com muitas contribuições no último século. Em 1907, a educadora mineira Alexina de Magalhães Pinto (1870 - 1921) publicou um ´Esboço provisório de uma biblioteca infantil´. O lema ´republicanizar a República´ foi utilizados por educadores brasileiros em 1924, dentro do convencimento de que na educação residia o alicerce para o desenvolvimento. Dez anos depois, Anísio Teixeira (1900 - 1971) criou a Biblioteca Popular Infantil do Rio de Janeiro, deliberadamente como um local de encantamento e de pesquisa.

Temas que abordam a questão do ´progresso´, sem ser às custas da degradação ambiental, vêm sendo tratados no Brasil pela literatura sincera para crianças desde o começo do século passado, em obras como ´A filha da floresta´ (Ed. Melhoramentos, 1921), de Thales de Andrade (1890 - 1977) que, em plena onda de urbanização, falava da aventura de viver com simplicidade no campo, ´sem luxo e sem se importar com a fama´; e em obras como ´A Reforma da Natureza´ (Cia Editora Nacional 1941), de Monteiro Lobato, livro no qual a boneca Emília tenta ´consertar´ o mundo vegetal e animal no Sítio da Dona Benta, enquanto a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) ´desconserta´ o resto do mundo.

Gabriela Pellegrino lembra bem que uma das principais característica da pedagogia lobatiana é que nela as crianças sempre deixam temporariamente o amparo físico e intelectual dos adultos para, munidos de fantasia, enfrentar os desafios do mundo interior e exterior. Depois de brincarem, retornam para casa ´vitoriosas e amadurecidas pelas experiências vividas´. O pensador cubano José Martí (1853 - 1895) dizia que se tivesse que optar entre falar da cultura grega e romana ou dos Astecas, Maias e Incas, ficaria com a segunda opção. Rabindranath Taqgore (1861 - 1941), escritor e educador indiano, também defendia os espaços educacionais como ambientes que as crianças pudessem freqüentar com prazer, porque neles teriam ampla liberdade de brincar, de se relacionar com a natureza e de vivenciar lições de cidadania.

Na Declaração dos Direitos das Crianças, feita em 1927 pela poeta chilena Gabriela Mistral (1889 - 1957), o reconhecimento da infância, como tempo do exercício da criatividade e da sensibilidade aparece como um apelo de permanente atualidade: ´Não deixar de pedir para a criança a escola com sol, o livro, as imagens dos contos, nem cessar de dizer não a tudo o que desfigura sua alma e a violenta´. Esta citação está nos estudos de Pellegrino, no qual a ativista das bibliotecas populares, aparece defendendo a combinação de mídias na biblioteca, desde que não derive para a banalidade. Para ela, a leitura, mais do que distração, é um meio que ´muitas vezes nos finca melhor em nós mesmos´.

No início do século passado, a ´paixão da criatura pela imagem´ estava mais direcionada para a novidade do cinema. Hoje, essa atração está mais acentuada nas telas de televisão e de computador. O tempo passa e cada vez mais fica provado que as novas mídias não são inimigas do livro. Quando bem utilizadas podem tornar-se grandes aliadas da difusão do livro e da formação de leitores. A tecnologia precisa ser posta a serviço das pessoas e não o contrário. Das aplicações dos recursos do mundo digital na educação, a de reforço à aproximação da criança com o livro e de estímulo à leitura é sem dúvida uma das mais desejáveis.

A escritora Ana Maria Machado diz que a literatura infantil brasileira só encontra paralelo na literatura infantil inglesa. A diferença é que no Brasil ainda não despertamos para fazer filmes inspirados em nossas próprias histórias infantis. A relação filme e literatura é mágica. Um dia desses, o meu filho Artur, de sete anos, me perguntou qual a razão de a gente vê um filme do Harry Potter em apenas duas horas e de levar mais de um mês para ler o livro, se a história é a mesma. Respondi por linhas gerais, que no filme o diretor escolhe o que quer que a gente veja, enquanto no livro não há escolhas, são os significados que damos às palavras que nos contam a história. E o segredo está na escolha do livro.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=593263 COLUNA (27/11/2008)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Ata da Supervisão da Rede de Leitura

Os integrantes da Rede PBV (Projeto Biblioteca Viva) da Fundação Abrinq reuniram-se no dia treze de dezembro de dois mil e oito para a supervisão da Rede de Leitura.
O encontro ocorreu no auditório do Instituto Dom Bosco situado na estação Tiradentes do metrô e teve início às nove horas.

A abertura da reunião, conhecida entre os integrantes como o momento “Bom Dia Rede” foi realizada pela Lazara da entidade Comunidade Inamar que leu um conto de Maria Colassanti retirada do livro A Moça Tecelã. Os integrantes fizeram comentários acerca da leitura, colocando suas interpretações.

Em seguida, relembraram os acontecimentos mais marcantes do último encontro do grupo que ocorreu em outubro na Universidade de São Paulo, em decorrência da palestra do professor Max Butlen. Uma das lembranças foi referente à apresentação do instituto Arrastão que entre as ações de seu projeto produziu um “Pé de Livros” – a idéia é simples, mas surpreendente: consiste em expor livros ao ar livre de uma forma diferente com o intuito de despertar o interesse das crianças pela leitura. Os livros são literalmente pendurados nos galhos de uma árvore e “colhidos” como fruta fresca e madura para serem deliciados pelos leitores que os escolheram. Duas integrantes acharam a idéia tão interessante que realizaram em suas organizações e comentaram o retorno positivo que obtiveram.

Prosseguindo a reunião, a Elisangela e a Renata explicam que os encontros do grupo para o próximo ano serão articulados pelos próprios integrantes e alguns dos participantes se prontificaram em organizar a primeira reunião de dois mil e nove que tem data prevista para ocorrer em dezoito de fevereiro, provavelmente no Parque da Juventude, no entanto, data e local ainda serão confirmados.

A Renata apresentou em slides o resultado do primeiro preenchimento instrumental sobre os projetos de leitura e em seguida, os participantes preencheram novamente o instrumental para que se possa ter uma avaliação mais específica dos resultados.

Após o café de confraternização, a Elisangela realizou a “dinâmica do barbante”: Iniciou pedindo para que os integrantes (ao receberem o barbante) dissessem em poucas palavras o sentido da “Rede” e dessa forma passasse o barbante para outra pessoa – formou-se assim um interessante “emaranhado” de fios que lembrava exatamente o tecer de uma rede.

O professor Edmir encerrou a supervisão realizando uma retrospectiva dos pontos memoriais que ocorreram durante todos os encontros do grupo durante o ano de dois mil e oito e fez suas considerações sobre a importância de manter a Rede de Leitura, pedindo para que cada integrante realizasse também suas considerações pessoais. Em unanimidade, os integrantes comentaram sobre a necessidade dos encontros que colaboraram para a resolução das dificuldades encontradas na sistematização dos projetos. Não havendo mais assunto a tratar o grupo encerrou a última supervisão do ano com um abraço coletivo!

Elaborado por Lázara, da Comunidade Inamar

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Instituto C&A abre edital para patrocínio_28/11/08

Estão abertas as inscrições para organizações sociais que desejam receber apoio do Instituto C&A, no exercício orçamentário 2009/2010, para desenvolver seus projetos. Podem se candidatar as organizações que desenvolvem programas de promoção à educação de crianças e adolescentes e aquelas voltadas para o fortalecimento de instituições sociais, localizadas em cidades onde a C&A possui loja.
Projetos de incentivo à leitura devem ser encaminhados para o Programa Prazer em Ler, enquanto as ações voltadas para o fortalecimento de ONGs devem ser encaminhadas para o Programa de Desenvolvimento Institucional. O prazo para as inscrições termina em 6 de dezembro (sábado).
As organizações interessadas devem preencher o formulário de apresentação de projetos disponível no site www.institutocea.org.br e, posteriormente, encaminhar a proposta pelos Correios.
O orçamento dos projetos selecionados para o Programa Prazer em Ler é de até R$ 70 mil e o prazo de execução de 12 meses (a partir de março de 2009). O recurso irá contemplar a aquisição de acervo de livro e equipamento para biblioteca, organização do espaço de leitura e pagamento de pessoal. Os nomes das instituições escolhidas serão divulgados no site do Instituto C&A no dia 10 de fevereiro de 2009.
Para as iniciativas do Programa de Desenvolvimento Institucional, o orçamento destinado é de R$ 60 mil para projetos de organizações para o seu próprio desenvolvimento e de R$ 120 mil para ONGs que trabalham para o fortalecimento de outras instituições. O prazo de execução também é de 12 meses, a partir de março de 2009. As organizações selecionadas serão anunciadas no dia 10 de fevereiro de 2009, pelo site.
Os editais para os programas “Educação Infantil” e “Educação em Tempo Integral” ainda não têm data definida.

Programa Prazer em Ler
O Programa Prazer em Ler foi criado em 2006 com o objetivo de promover a formação de leitores e desenvolver o gosto pela leitura junto às crianças e adolescentes. As ações do programa estão organizadas em torno de três frentes: desenvolvimento de projetos de leitura em diferentes espaços institucionais (ONGs, escolas, bibliotecas e outros); disseminação da importância da leitura e boas práticas na área; e articulação de agentes sociais que podem atuar na promoção da leitura. Atualmente, 82 instituições sociais participam do Prazer em Ler, em todo o Brasil.
A implementação do Prazer em Ler também contempla o envolvimento de voluntários, que são associados da C&A e acompanham as ações do programa nas instituições sociais parceiras. Eles são preparados, por meio de oficinas pedagógicas e de formação, para trabalhar na promoção da leitura. Os associados também são incentivados a ampliar seu repertório literário, por meio do acesso a biblioteca, disponível em cada loja da C&A.

Programa Desenvolvimento Institucional
O programa de Desenvolvimento Institucional, do Instituto C&A, busca apoiar processos e iniciativas que promovam o aperfeiçoamento de organizações da sociedade civil e assegurem a realização da sua missão de forma duradoura.
A iniciativa expressa o compromisso do Instituto C&A com o fortalecimento institucional das organizações sociais, como condição para a sua sustentabilidade e como contribuição ao desenvolvimento social.